ISG Provider Lens Latam


Projeto de Lei Redata pode reduzir o custo de importação de hardware de IA de cerca de 38% para 2%, tornando mais viável a expansão da infraestrutura no Brasil

A escassez de hardware de ponta, incluindo processadores, unidades de processamento gráfico (GPUs) e discos de estado sólido (SSDs), deve persistir até 2027 e 2028, favorecendo a contratação de capacidade de inteligência artificial em nuvens instaladas no Brasil em vez da expansão de infraestrutura própria. É o que revela o estudo ISG Provider Lens Private/Hybrid Cloud Data Center Services 2026 para o Brasil, distribuído pela TGT ISG.

Segundo a pesquisa, o mercado brasileiro de nuvem híbrida e privada entra em uma nova fase, impulsionada pela adoção de inteligência artificial nas operações e pela revisão das estratégias de infraestrutura das empresas. O avanço da IA, combinado aos altos custos de hardware e às exigências de soberania de dados, vem redefinindo o mercado em 2026.

“A capacidade elástica para inteligência artificial já está disponível nas regiões brasileiras dos principais fornecedores de nuvem pública. A escassez de hardware, como processadores de alto desempenho, GPUs e discos de estado sólido (SSDs), deve continuar até 2027 e 2028, limitando a expansão da infraestrutura própria e favorecendo o uso de nuvens instaladas no Brasil. Dessa forma, as empresas podem manter a residência de dados em conformidade com a LGPD enquanto utilizam serviços escaláveis para treinamento e inferência de IA, sem necessidade de tráfego internacional de dados”, explica Pedro L. Bicudo Maschio, distinguished analyst da ISG e autor do estudo da TGT ISG.

Um fator que pode alterar esse cenário é a possível aprovação do Projeto de Lei 278/2026, conhecido como Redata. “Se aprovado, o Projeto de Lei poderá reduzir o custo efetivo de importação de hardware de alto desempenho para TI de cerca de 38% para aproximadamente 2%, melhorando a viabilidade econômica dos investimentos em inteligência artificial e fortalecendo a posição do Brasil como um hub regional de IA”, comenta.

Nos próximos 12 a 24 meses, o relatório prevê a consolidação de operações cada vez mais automatizadas, combinando infraestrutura privada com serviços de inteligência artificial oferecidos por regiões brasileiras de nuvem pública.

O estudo também aponta a energia como uma vantagem competitiva do Brasil. A forte presença de fontes renováveis na matriz elétrica favorece data centers e fornecedores de serviços de colocation, enquanto eficiência energética, consumo de água e uso de energia limpa ganham importância na escolha de fornecedores. A pesquisa destaca ainda US$8,3 bilhões em investimentos na expansão de colocation no país e o interesse de empresas asiáticas, como Naver Cloud, LINE Yahoo Japan, Rakuten e KDDI, em entrar no mercado brasileiro.

O relatório também mostra que a automação das operações de TI avança, mas acompanhada por regras mais rígidas de governança. Empresas brasileiras passaram a exigir aprovação humana e registros auditáveis antes de permitir que sistemas de inteligência artificial atuem de forma autônoma em ambientes críticos.

Para o autor do estudo, a autonomia em ambientes de produção deixou de ser apenas um discurso comercial e passou a exigir comprovação. Segundo ele, “a autonomia em circuito fechado é uma questão de garantia operacional, e não uma promessa de marketing”, resumindo a postura dos compradores brasileiros diante das promessas de automação.

Maschio observa que empresas brasileiras passaram a exigir regras claras de autonomia, possibilidade de intervenção humana e testes documentados antes de adotar processos automatizados. Na visão do autor, o mercado já não aceita a automação como um diferencial isolado, cobrando evidências de governança e segurança para ampliar a autonomia das operações.

O relatório aponta a Equinix como Líder em três quadrantes. Indica Claranet, Claro empresas, Edge UOL, HostDime, Kyndryl, Nevolus e TIVIT como Líderes em dois quadrantes cada. Accenture, Ascenty, Capgemini, Elea Data Centers, EVEO, Locaweb Cloud, ODATA, SBA Edge, Scala Data Centers, Skynova, Stefanini, T-Systems, Takoda, Under, Wevy e Wipro são apontadas como Líderes em um quadrante cada.

Além disso, Datacentrics, MadeinWeb, Tecto Data Centers, Unisys e Wevy são reconhecidas como Rising Stars — empresas com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, segundo a definição da ISG — em um quadrante cada.

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