ISG Provider Lens Latam


Com implementação a partir de 2026 e transição até 2033, nova estrutura fiscal cria demanda contínua por ajustes sistêmicos; IA e BTP redefinem diferenciação no ecossistema SAP

A Reforma Tributária brasileira passou a ser, a partir de 2026, um dos principais impulsionadores de atualizações no mercado de serviços SAP no país. Com impacto direto sobre sistemas fiscais, obrigações acessórias e processos financeiros, a nova estrutura, que vem sendo implementada de forma gradual até 2033, impõe uma agenda contínua de atualizações, testes e conformidade. O efeito prático é a criação de uma demanda recorrente por serviços especializados, com maior exigência técnica e regulatória.

Isso é o que aponta a nova edição do relatório ISG Provider Lens® sobre o mercado de fornecedores de serviço em SAP, produzido e distribuído pela TGT ISG, que analisa o posicionamento competitivo dos fornecedores SAP no Brasil. Esse movimento ocorre em paralelo a uma mudança estrutural no mercado: o ciclo mais intenso de migrações para o SAP S/4HANA se aproxima da maturidade entre grandes empresas, abrindo espaço para uma nova agenda centrada em inteligência artificial, dados e geração de valor contínuo.

“A Reforma Tributária sustenta o volume de contratos no curto e médio prazo, e eleva o nível de seletividade dos clientes, que passam a priorizar parceiros com domínio fiscal local e capacidade de resposta rápida a mudanças regulatórias”, explica Alciomara Kukla, distinguished analyst da TGT ISG e autora do estudo.

Diferentemente dos grandes projetos de transformação dos últimos anos, a demanda associada à Reforma Tributária tende a se caracterizar por ciclos curtos, recorrentes e altamente regulados. A necessidade de realizar testes frequentes e adaptar processos fiscais transforma o perfil dos contratos. “Embora menores em valor unitário, esses projetos têm alto grau de criticidade e exigem atualização constante, o que favorece fornecedores com operação estruturada no Brasil e equipes especializadas em legislação local”, comenta.

Esse cenário também muda a forma como empresas avaliam seus parceiros, agora pesando mais critérios como agilidade, conhecimento regulatório e proximidade com o cliente.

Enquanto a agenda fiscal ganha protagonismo, o mercado SAP passa por uma transição relevante. Entre grandes empresas, a conversão para o S/4HANA já ocorreu ou está em fase avançada, com maior foco em geração de valor pós-transformação. Temas como governança de dados, integração de IA aos processos de negócio e previsibilidade operacional entram no centro da estratégia.
Para os fornecedores, isso implica uma mudança estrutural, na qual a expectativa de redução de novos contratos de grande porte exige reposicionamento para modelos baseados em serviços recorrentes, otimização contínua e operação gerenciada.

O estudo destaca que a capacidade de operar com novas plataformas tecnológicas da SAP se torna decisiva. A combinação de SAP Business AI com o SAP Business Technology Platform (BTP) consolida um novo eixo de inovação. A introdução de IA generativa, incluindo o assistente Joule e agentes autônomos, e o avanço do conceito de clean core, que desloca customizações para o BTP, redefinem a arquitetura dos projetos. Além disso, o SAP Business Data Cloud reforça a convergência entre dados, analytics e automação, ampliando a complexidade e o potencial de valor das implementações.

No segmento de médias empresas, a dinâmica é diferente. As ofertas GROW with SAP e RISE with SAP atendem diferentes perfis, mas a decisão de migração segue condicionada a análise rigorosa de viabilidade financeira e capacidade interna de execução. A mudança de ciclo também afeta os serviços gerenciados. O modelo reativo perde espaço para abordagens baseadas em automação, prevenção de incidentes e uso de IA para monitoramento preditivo. Isso exige revisão de contratos, SLAs e métricas de desempenho.

Na frente de HCM, especialmente com SAP SuccessFactors, o Brasil se destaca pela complexidade regulatória. A necessidade de atualizações constantes, combinada com a incorporação de IA em gestão de talentos, amplia tanto as oportunidades quanto os desafios em governança e conformidade.

“O sucesso no mercado SAP brasileiro, nos próximos 12 a 24 meses, dependerá da capacidade de integrar múltiplas dimensões: tecnologia, dados, operação contínua e resposta regulatória. A combinação entre pressão regulatória contínua e avanço da agenda de IA e dados deve redefinir o mercado SAP no Brasil ao longo da próxima década”, finaliza a autora.

O relatório avalia 53 fornecedores em cinco quadrantes: SAP S/4HANA Transformation — Large Accounts, SAP S/4HANA Transformation — Midmarket, SAP Application Managed Services, SAP Business AI and Business Technology Platform (BTP) Services e SAP SuccessFactors HCM Partner Services.
O relatório nomeia Accenture, Capgemini, Deloitte, NTT DATA e T-Systems como líderes em quatro quadrantes cada. Infosys, TCS e Tech Mahindra são nomeadas líderes em três quadrantes cada, e Atos e Numen são nomeadas líderes em dois quadrantes cada. O relatório também nomeia BCI Consulting, Cast Group, DXC Technology, EPI-USE, EssenceIT, HCMx, HR Path, HRST, Megawork, Meta, Minsait, Seidor, Stefanini, Strada e The Silicon Partners como líderes em um quadrante cada.

Além disso, EngineBR, EPI-USE, Minsait, Numen e SPS Group são reconhecidas como Rising Stars — empresas com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, segundo a definição da ISG — em um quadrante cada.

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